Próximos Eventos

out.
22

Seminário LEME com Victor Angelucci (UFMG)

O que é significância cognitiva?

Na literatura da Teoria da Referência, somos apresentados a dois tipos de efeitos que se seguem de uma variação na Significância Cognitiva de expressões. Um dos efeitos diz respeito ao grau de informatividade de sentenças de identidade; como a=a é trivial e a=b é informativo, ambas as sentenças possuem valores cognitivos diferentes -- mesmo se representarem o mesmo estado de coisas. O outro dos efeitos diz respeito às atitudes proposicionais que podem ser racionalmente associadas às expressões linguísticas. Portanto, se é possível que um agente racional acredite que S mas não acredite que S', então S e S' possuem valores cognitivos diferentes. Colocada desta maneira, a propriedade da significância cognitiva é um tanto misteriosa: como uma variação na mesma propriedade pode afetar o grau de informatividade de um tipo específico de sentença (identidades) e, ao mesmo tempo, ditar os padrões de atitudes que podem estar associadas às expressões linguísticas de maneira mais geral? O objetivo desta apresentação é apresentar uma caracterização da propriedade da significância que mostre como tanto informatividade quanto as atitudes proposicionais são de fato fruto da variação de uma mesma propriedade. Para isso, irei caracterizá-la em termos da noção de Coordenação, um conceito importante na literatura recente em Teoria da Referência. Minha proposta de caracterização defende que uma variação em significância tem efeito primário na Coordenação, isto é, na maneira como a correferência é representada entre tokens. Mostrarei como uma variação em coordenação tem efeitos que nos levam a uma variação de informatividade e nas atitudes, responderei uma objeção à proposta e, por fim, discutirei as consequências da proposta de caracterização da significância nas abordagens teóricas que buscam oferecer uma solução ao Enigma de Frege.

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out.
29

Oficina LEME com Eduardo Carneiro Luz (PUC-Rio)

Revisitando o paradoxo da previsibilidade

Morgenstern (1928) e Popper (1957) intuíram, em contextos distintos, o seguinte. Se previsões precisas dos fenômenos sociais fossem possíveis, e se essas previsões se tornassem conhecidas, então as pessoas reagiriam a elas, falseando-as. Exemplos abundam, dos mais complexos aos mais mundanos. A previsão de que haverá guerra pode implicar maiores esforços diplomáticos entre as partes envolvidas no potencial conflito, falseando-a, felizmente. A previsão de que um conhecido pedirá uma média no café-da-manhã pode implicar o pedido por um chá, só para contrariar, não importando o quanto o conheça, mesmo tendo certeza de que ele pediria uma média se estivesse sozinho. Esses são exemplos do Paradoxo da Previsibilidade. Ele emerge quando um preditor interno (que é parte do universo) revela sua previsão a uma entidade contra-preditiva, que age deliberadamente num sentido oposto à previsão revelada. Decorre disso que esse preditor não conseguirá prever o comportamento dessa entidade se a previsão for revelada antes da sua ação. Essa constatação independe do caráter determinístico do universo, e de quão poderoso é o preditor em questão. Esse universo não seria essencialmente imprevisível, um preditor externo (que não é parte dele, ou que pudesse não revelar sua previsão), poderia perfeitamente prever o comportamento da entidade contra-preditiva, mas para um preditor interno, a previsão seria impossível (RUMMENS & CUYPERS, 2010). Nesta apresentação, investigo a solidez do argumento proposto por Rummens (2024), isto é, se a inferência é válida e se suas premissas são plausíveis. Essa investigação também exige a avaliação da formalização lógica do argumento e eventual sugestão de melhorias. Por fim, exploro brevemente em que medida as constatações do Paradoxo da Previsibilidade poderiam contribuir de alguma forma para o debate entre compatibilismo e incompatibilismo sobre livre-arbítrio; e para as discussões sobre o caráter governista das leis da natureza.

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nov.
12

Oficina LEME com Danilo Rocha (PUC-Rio)

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Uma avaliação do argumento do desígnio

O argumento do desígnio sustenta que a ordem e a complexidade observadas na natureza são mais bem explicadas pela existência de uma inteligência projetista. Em sua formulação clássica, associada a William Paley, o argumento baseia-se na analogia entre artefatos humanos e organismos naturais: assim como a existência de um relógio implica a existência de um relojoeiro, a complexidade funcional dos seres vivos indicaria um desígnio inteligente. Essa estrutura não constitui uma dedução, mas uma inferência ampliativa fundada na semelhança entre diferentes domínios. Reformulações contemporâneas procuram fortalecer o argumento ao afastá-lo da dependência exclusiva da analogia, apresentando-o como uma inferência à melhor explicação ou como uma hipótese probabilística voltada ao ajuste fino do universo. Nesse contexto, a hipótese de um projetista é defendida como simples e unificadora, capaz de explicar um amplo conjunto de fenômenos. A crítica de Hume, no entanto, permanece central para a avaliação do argumento. Hume questiona a força da analogia entre o mundo e artefatos humanos, ressaltando que tal comparação é limitada e não justifica conclusões robustas sobre a origem do universo. Além disso, destaca que diferentes hipóteses podem ser compatíveis com os mesmos dados, o que enfraquece a inferência para um projetista específico. Embora versões contemporâneas do argumento procurem afastar-se da analogia clássica e se apresentem como inferências probabilísticas ou explicações do ajuste fino do universo, as objeções humeanas permanecem relevantes ao questionarem o alcance dessas inferências e a possibilidade de hipóteses alternativas igualmente compatíveis com os dados observados. Dessa forma, defenderei que, embora as reformulações contemporâneas busquem conferir ao argumento maior sofisticação probabilística, elas permanecem vulneráveis às objeções de Hume quanto aos limites das inferências realizadas a partir da ordem observada no universo.

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out.
8

Seminário LEME com Filipe Carijó (UFRJ)

O problema da sugestão para a psicanálise

Um dos questionamentos mais antigos enfrentados pela psicanálise é o da sugestão. De acordo com essa objeção, o fato de os analisandos conhecerem aspectos importantes das hipóteses do analista (transmitidos através de interpretações e de outras maneiras) faria de suas produções (associações, sonhos, etc.) evidências incapazes de sustentar a teoria psicanalítica, já que potencialmente induzidas pelo analista; o principal tipo de dado apresentado em defesa da psicanálise, portanto, precisaria ser descartado. Após curta contextualização, em que comentarei a discussão sobre a cientificidade da psicanálise, apresentarei o problema da sugestão, mostrando como Freud e outros psicanalistas influentes sugestionavam seus pacientes de maneira sistemática; discutirei, então, respostas ao problema dadas por Freud e por autores mais recentes. Defenderei que o problema é profundo e que as respostas são fracas.

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out.
1

Oficina LEME com Conrado Vasconcelos (UFRJ)

Pyrrhonism meets “Pyrrhonian skepticism about philosophy”

Bernáth and Tőzsér have recently defended what they call “Pyrrhonian skepticism about philosophy” (“PSP”), the view that you have an inescapable epistemic obligation to suspend your philosophical beliefs. According to them, we should accept PSP because we should suspend belief about claims over which there is permanent disagreement, and there is permanent disagreement over big philosophical problems; therefore, this obligation should be extended to philosophical beliefs as well. One problem with PSP is that it seems to be self-defeating, as it would imply that we should suspend belief about the philosophical claims that are a precondition for PSP being true. Bernáth and Tőzsér’s solution to this problem is to argue that PSP is consistent and well-founded because we possess inalienable epistemic entitlement to believe these preconditions; and we are so entitled, they claim, because it is conceptually impossible to have any inalienable epistemic obligation to suspend belief about them. Bernáth and Tőzsér also argue that, despite appearances to the contrary, PSP still leaves room for philosophy as a worthwhile epistemic enterprise. My presentation will proceed as follows. First, I will present and explain Bernáth and Tőzsér’s defense of PSP and then offer my own objections against it. Second, I will argue that Bernáth and Tőzsér are unwarranted in qualifying their view as “Pyrrhonian”. Lastly, I will show that a Pyrrhonian skeptic would not be persuaded by PSP as they would use their own argumentative strategies for inducing suspension of belief against it.

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set.
10

Oficina LEME com Renata Augusto

  • PUC-Rio Edifício Cardeal Leme - Sala L538 (mapa)
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Uma resposta ao argumento lógico em favor do fatalismo

Nesta apresentação, é oferecida uma resposta ao argumento lógico em favor do fatalismo proposto recentemente por Lampert e Merlussi (2026, submetido). Em sua proposta, os autores usam a estrutura do famoso argumento de Church-Fitch, conhecido como paradoxo da conhecibilidade, para mostrar que a mera possibilidade de não termos escolha sobre alguma proposição verdadeira (fatalismo fraco) colapsa na certeza de que tudo já está fixado (fatalismo). Ao mostrar a inconsistência do fatalismo fraco com o livre-arbítrio, os autores defendem terem demonstrado logicamente que não teríamos escolha sobre nossas ações. Em que pese assumir a validade lógica do argumento apresentado por Lampert e Merlussi dentro dos sistemas padrão de lógica modal, defenderei que o argumento falha em “traduzir” a nossa intuição sobre a agência e o livre-arbítrio. Para isso, me apoiarei nas considerações de Jenkins (2009), segundo as quais a lógica modal padrão não “traduz” propriedades humanas, e o fatalismo fraco distorce a forma como opera a agência humana ao disfarçar-se de alegação universal. Por fim, pretendo mostrar que a utilização do argumento de Church-Fitch na discussão sobre livre-arbítrio para defender o fatalismo pode ser bloqueada por uma solução inspirada na estratégia de reinterpretação que Fara (2010) oferece para resolver o paradoxo original na epistemologia. O colapso lógico é impedido ao substituir o operador de possibilidade modal padrão (◇) por um operador de capacidade (C), bloqueando, assim, o argumento fatalista.

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set.
3

Seminário LEME com Gustavo Lyra (PUC-Rio)

Cancelado!

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ago.
27

Oficina LEME com Pedro Merlussi (PUC-Rio)

Como o Livre-Arbítrio Colapsa com o Paradoxo da Conhecibilidade

O paradoxo da conhecibilidade (Church-Fitch), descoberto por Church num parecer de 1945 e mais tarde publicado por Fitch, mostra que, a partir da premissa aparentemente inofensiva de que toda a verdade é conhecível — a tese antirrealista segundo a qual não há verdades em princípio inacessíveis à mente —, segue-se logicamente a conclusão absurda de que toda a verdade é, de fato, conhecida. O paradoxo opera através de uma instância autorreferencial: aplicada à conjunção "p e ninguém sabe que p", a premissa da conhecibilidade gera uma contradição, e força o colapso da tese antirrealista na tese da onisciência.

Apresento um argumento estruturalmente análogo, mas dirigido não ao conhecimento, e sim ao livre-arbítrio. Usando o operador "sem escolha" N — central na literatura sobre o Argumento da Consequência de van Inwagen —, mostro que uma premissa igualmente modesta, a que chamo Fatalismo-Fraco (a tese de que toda verdade poderia ter sido tal que ninguém tivesse escolha sobre ela), colapsa, por meios puramente lógicos, na tese muito mais forte do Fatalismo (a tese de que ninguém tem escolha sobre nenhuma verdade). O argumento não pressupõe determinismo, indeterminismo, nem presciência divina; depende apenas de princípios modais básicos que regem o operador N.

Discutirei ainda a proveniência histórica desse paralelismo — observado de passagem por Fara (2010), mas até agora pouco explorado na literatura sobre livre-arbítrio —, e mostrarei que vários dos princípios cruciais ao argumento (nomeadamente, Conjunção e Fechamento) já são aceitos, ou estão implicitamente pressupostos, por incompatibilistas de diferentes tradições. O argumento sugere, assim, que a defesa do livre-arbítrio exige rejeitar precisamente aquela premissa — Fatalismo-Fraco — que, à primeira vista, parece a mais inócua de todas.

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ago.
20

Seminário LEME com Ludovic Soutif (PUC-Rio)

Dinâmica cognitiva indexical e sensibilidade à ocasião

Apresento uma solução para o problema da dinâmica cognitiva dos pensamentos indexicais, alinhada com a perspectiva contextualista radical sobre a individuação de conteúdos. Em primeiro lugar, defendo que, se a perspectiva contextualista radical estiver correta, a questão de saber se dois conteúdos de pensamento são os mesmos não tem uma resposta clara, independentemente da circunstância em que a pergunta é feita e das ocasiões em que os conteúdos são comparados. Afirmo que este ponto se aplica aos conteúdos de pensamento em geral e aos conteúdos indexicais em particular. A seguir, proponho dois critérios de individuação sensíveis à ocasião: um intrassubjetivo, relacionado às atitudes epistémicas, e outro intersubjetivo, relacionado à necessidade de comprovar a verdade de uma afirmação. Em segundo lugar, mostro que abordar a questão da dinâmica cognitiva indexical segundo a linha kaplaniana depende de suposições infundadas, explicitamente contestadas pela perspectiva contextualista radical. Por fim, apresento uma solução não kaplaniana que concilia tal perspectiva com os requisitos (independentes) do dinamismo e do holismo.

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